Entre

E ai puxe a cadeira, sente nas paredes, aqui tudo é permitido, menos palavrão, pelo menos você não, de resto fique a vontade...

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Faz tanto tempo que não ando por aqui
Acho que andei buscando descansar me desorganizando... é bem como dizem, por mais que teu coração esteja doendo o mundo não irá parar por conta disto...Então parece que agora tudo esta muito diferente...
Tem sido difícil estes retornos, eu não sei em que lugar quero estar...mas aqui posso ser livre, aqui eu sei que não vou ouvir julgamentos e condenações, aqui eu sei que posso estar tão leve quanto dura. Aqui eu sei que não há ninguém que possa me matar, ferir ou magoar. Então acho que tenho um lugar por onde escapo e que por vezes não visito. Estou aqui escapando, escondendo, me libertando. Não precisa fazer sentido, a vida nunca foi assim...

domingo, 21 de agosto de 2011

Voce poderia ser feliz

Hoje, como vem sempre acontecendo , novamente tivemos uma discussão. Eu ouvi uma musica que dizia esta frase: Você poderia ser feliz e eu não saberei. Fiquei pensando no significado que talvez tivesse pra mim, em como isto impactava meu mundo de bolinhas cor-de-rosa. Eu fiquei por diversas vezes atribuindo culpados a todo tipo de situação, eu quis me explicar sobre tudo que achei que tivesse feito de errado. Mas aquela frase ficava me bombardeando por dentro. Eu achava que já havia tentado o meu tudo, como se todos estes incômodos pudessem ter alguma resposta absoluta, uma única resposta que servisse a todo tipo de desconcerto. Eu achava, mesmo ingenuamente, que qualquer conversa pudesse esclarecer todas as nossas duvidas, pudesse dar fim a todos os nossos medos. E aquela bem dita frase coroando minhas crises de frustração por que ao final de tudo, não havia nenhuma resposta, não havíamos nos percebido desde o princípio. Eu sabia que mesmo nos instantes de maior lucidez em que todos os meus pontos de conflito estavam sendo discutidos, naqueles fóruns intermináveis de negociação de nossa frágil tolerância, não havia nenhuma zona de segurança. E só aquela frase fazia algum sentido "você poderia estar feliz". E no fim das contas eu só não queria mais ouvir
"Faça as coisas que você sempre quis
Sem eu lá para te impedir, não pense, apenas faça".

Eu vou ouvir por algum tempo, até tudo ficar mais calmo novamente.

sábado, 23 de julho de 2011

eu te amo tanto

É incansavel o jeito de dizer que o amo... Acho que pra ouvi-lo dizer também... eu sou também vaidosa, quero me senitr tão querida, quero saber se sou do meu bem...
Por que te amo muitas e muitas vezes, e sempre e tanto... que nem mais quanto...

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Carta de final de ano

Parece um pouco estranho que eu esteja escrevendo uma carta de final de ano agora. Mas a carta em questão foi escrita no final do ano de 2009, e eu, como não poderia deixar de ser, a havia perdido entre minhas várias maneiras de me sentir e ser, ligeiramente, desorganizada.
Sendo assim, vamos ao causo... Pois de algum modo intimo, quero que fiquem registradas estas coisas do passado. A cada momento em que respiro fundo e as retomo, fico um pouco mais acomodada pelo que estou sendo agora. É como visualizar um antigo álbum de fotografias, as pessoas que, por fim, mudaram ou se foram, a pessoa que fui... Enfim, são tantas ebulições de emoções e outras tantas séries de sentimentos, que me aproximam muito do que, eu penso, fazer algum sentido pra tudo isto que chamo vida.

"Eis que chega, ou melhor, se encerra também um novo ano. Lutas, um cem numero de escolhas e atreladas a estas, uma série de duvidas e frustrações. Desaforos e tempo perdido, pra dizer bem a situações, mal vivido, sim, por que não admitir?
Muitos poemas, muitos belos e tristes, outros tantos, ficaram perdido em momentos de não pensar, deixando aquela sensação incógnita do que poderia vir a ser. Foram muitos porres e encontros. Muitos reencontros, novos olhares, muitos novos beijos, abraços apertados, outros mais soltos... Abraço de quem não queria dar, abraço de quem não queria mais deixar... Mais surpresas possíveis...
Muitos, mas muitos sonhos perdidos, mais alguns corações despedaçados (o meu inclusive).
Este foi o ano do meu primeiro novo emprego, minhas primeiras novas amizades, primeiros cansaços físicos e mentais, primeiras decepções astrais (é meu signo não combinava com o dele).
Foi aqui que senti pela primeira vez a continuidade de tudo e descobri que já não conseguia fazer um só plano simples. Estou deixando a maré encher, estou deixando as pessoas pensarem, estou me deixando mais tempo menos lúcida. Antes de perder a coragem, antes de perder a cabeça deixei meus amores possíveis, quase todos... Talvez seguindo, minhas regras, também me deixaram.
Fiquei com lembranças engarrafadas no peito e quando, me falha o controle sobre elas, me embebedo um pouco mais delas todas. E adormeço com elas, como num bom sonho de cheirar e sentir...
Me senti mais densa, fiz mais corações baterem sobre o meu ou pelo menos perto de mim. Alguns destes corações bateram mais forte, outros numa cadência mais tranquila. E outros eu não soube compreender, não soube ver...
Voltei aos pontos de partida. Respirei fundo. Comecei outras historias, desisti do que me pareceu incerto. Iniciei sonhos que não faziam sentido algum.
Algumas novas experiências e um uso bem mais concreto das experiências anteriores. Adoeci um pouco por dentro, envelheci pelo menos um ano. Briguei, guardei mágoas e magoei...
Também esqueci, pedi desculpas, mas não sei ainda como fazer bom uso das palavras... Se pretendo alguma coisa? Sinceramente (e não que eu goste muito disto) não me vejo no futuro. Mas se caso algum futuro eu tiver, que sejam como as linhas de poema ou de uma canção que não que não conheço. Mas que sim, seja repleto de desafios, surpresas, perda das forças e entre tantas coisas, consolos e esteios, e que seja pelo menos, parecido como que dá sentido a vida... Que tenha prescrito muitos novos amores ou pelo um, mas que este seja intenso. Que eu até tenha medo de vivencia-los. Mas que sendo assim eu não tenha muito mais o que desejar...

sexta-feira, 3 de junho de 2011

acho

Acho que quando eu aprender a exigir menos...
Quando eu aprender a aceitar mais...
No momento em que pele seja mais mansa
O amor será outra coisa que eu não saiba mais julgar...
Eu não sei o que fazer com este medo...
Tudo está aqui, ainda, feito um quadro inacabado,
Eu queria, sim, você na minha paisagem
Tivemos tantos rascunhos, tentando fazer diferente
Tentando não repetir aqueles erros
Então vão ficar sim os cheiros e as promessas
Por que ficamos mesmo com medo
E vai ficar por ai a saudade de quando não se tinha pressa
De nossos passeios pela praia
Dos banhos e das chuvas
Dos nossos personagens favoritos
Das nossas risadas embriagadas com amigos
E eles vão perguntar por nós
E não sei como dizer o porquê.
Faltou a pincelada que desenharia o fim de nossos planos
Mas não faltou nossa foto, agora borrada
Não foi por falta de desejo, nem pelas declarações de amor impulsivas
E como vamos apagar cada mensagem? e explicar como foi que nos perdemos...
Como eu ja não queria ouvir tuas lembranças
Como já não acreditava mais que não me machucaria...
Mas ao final não havia tantas flores mais...
E ja nem sei se é saudade
Eu procuro poemas que nos explique
Eu procuro o porquê de tanta vaidade
Mas é pouca ainda a idade
Nos espera história e paisagem
E quem sabe ainda possamos ser
Memórias e .....

segunda-feira, 30 de maio de 2011

serenata- cecilia meireles

"Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.
Permita que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,e a dor é de origem divina.
Permita que eu volte o meu rosto para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho como as estrelas no seu rumo


"Encostei-me a ti, sabendo que eras somente nuvem
Sabendo bem que eras nuvem, depus a minha vida em ti.
como sabia bem tudo isso, e dei-me ao teu destino,frágil,
Fiquei sem poder chorar quando caí.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Sei que estou indo... o caminho é difícil e não sei bem o que fazer...
Eu me pergunto sempre por tem de ser assim... mas as respostas nunca vêm...então eu sei que vou decidir sozinha, por que o caminho é tão extenso e a vida tão confusa... Você não tem a resposta e tambem espero que seja feliz, eu quero desejar que seja feliz, mesmo quando tenho que admitir que meu coração quer o contrario... eu tenho tantas dores, sera feliz longe de mim, eu sei ... e pelo tempo que durou eu fui feliz...

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Raizes

Estava no curso hoje e um sujeito se manifestou em relação às cotas: Acho que deveriam mudar a escola pública, investir nela, assim não haverá necessidade de cotas. Não discordo dele, mas por outro lado eu penso que quase quatrocentos anos de massacre do meu povo, onde ele foi submetido a métodos inconcebíveis de maltratos, estupros e uma incontável série de desumanizações, não serão pagos com simples cotas, não, isto seria muito pouco perto de todo estrago que foi feito. E digo ainda: tão achando que as cotas são um beneficio, ou melhor, um privilegio ao meu povo "ofendido". Mas penso singelamente que não pedimos nada além do que é nosso por direito, além do que nos foi retirado sem nenhum respeito... eu entendo que muitos brancos, pobres ou ricos, não saibam do que estou falando e nem espero, só digo a estes desentendidos que não comparem nossas histórias, escravidão não é a mesma coisa que um passado de miséria, como o discurso anti-cotas quer nos fazer acreditar, comparando a realidade dos descendentes de brancos pobres com a dos escravos. Escravidão é desapropriação do corpo de alguém e isto NÃO SE COMPARA, então apenas reparem o mal que nos foi feito e falaremos sobre desigualdade mais a frente que por hora o discurso é realmente desigual, pois não sabem sobre o que falam...

terça-feira, 17 de maio de 2011

Um lugar no passado

Nunca tive tudo... Mas já houve grandes coisas...
Estou sentada aqui, olhando a folhas espalhadas, lá no fundo queria que estivesse tudo da mesma forma. Agora estaria me preparando para uma grande surpresa, iria fingir que não sabia de nada, ficaria contando os dias, as horas, não dormiria nas madrugadas... enfim, mas já estão diferentes os dias, nada mais existe a não ser minha grande vida morna... a não ser os resultados dos meus mega planos... a não ser este nó na garganta e esta saudade estranha de tudo que parecia tão pouco e era tão grande. Tenho saudade daquele sentimento que vinha junto com a surpresa, tenho saudade de quando eu não desconfiava tanto do mundo, das pessoas e de mim mesma.
Eu queria voltar nem fosse por algum instante, para aquele mundo conectado e belo, sem dinheiro, sem seus vícios, onde havia amor mesmo, por que eu não poderia oferecer nenhuma outra coisa. Onde eu acreditava que o mundo não era tão ofensivo, onde a amargura das pessoas não me atingia tanto.
Hoje eu penso, não sem dor, que aquele lugar tranquilo, a tal zona de conforto, existe sim, ou melhor, existiu... só que não está mais aqui...

sábado, 14 de maio de 2011

Enquanto durou... (parte II)

Olhou para as suas acomodações já desarrumadas. Deu falta de cada uma das coisas que ele havia lhe pedido emprestado. Não sabia ao certo, se pelas coisas em si, ou por que queria mais uma desculpa para culpa-lo por mais esta falta.
Pegou uma taça de vinho. Sentiu seus pelos arrepiarem. No fundo ela sabia que era medo. Naquele mesmo instante, havia também, logo abaixo do pescoço, ou entre sua garganta e seu peito, não sabia definir direito, uma pressão dolorida, e ao mesmo tempo tão amena, quase sentia prazer com aquela melancolia saudosa.
Olhou para um espaço vazio na cômoda, entre o espelho e os diversos cremes e perfumes amontoados, antes, havia uma foto deles ali no meio daquelas coisas todas, era sempre o que ficava no lugar, era sempre o que dava certa ordem no seu todo desordenado.
Sugou o primeiro gole, e este não desceu tão livre, ia lhe dentro da garganta se enroscando, como se fosse toda aquela verdade que ela protestava em aceitar. Seus olhos vertiginaram, e sentiu seus dedos amortecerem, pigarreou, acendeu um cigarro, agora olhava fixamente para um nada, talvez fosse apenas um mal estar mental, ela precisava esquentar-se urgentemente por dentro. Tudo parecia agora tão frio.
Não queria pensar que toda aquela ausência, dolorida e úmida, também lhe trazia determinada alivio, se sentia suja a cada momento em que refletia sobre isto. Lembrou-se do seu vinho novamente e seus olhos, pela primeira vez em dias, se encheram d’água, com as costas das mãos enxugou aquelas rebeldes lagrimas, e outra vez a sensação de alivio, ela não havia secado, ela ainda sentia...
Então encheu seu peito com todo ar que poderia, suspirou profundamente, agora era tudo ou nada, quando todo este ar fosse posto fora, poderia derrubar tudo, ela poderia por fim, desfalecer, se entregar a toda aquela letargia, ela estava só e pulsante, todo o ar saiu de si e lhe deixou uma sensação de vazio, faltava um quadro, faltava um perfume, faltavam tantas coisas agora, ela já nem pensava mais nisto. Então entornou mais alguns goles, e ficou inerte sobre a cama, como anestesiada para a operação que seria feita mais tarde. Esperando sonolenta, entorpecida...
Meio acordada, agarrada a um fio minúsculo de determinada razão. Com num arroubo desavisado fechou os olhos e apenas suspirou, agora sem mais nenhuma emoção. Estava vencida.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Apenas mais um grito

Desde minha infância, sempre tive certa dificuldade em aceitar a vida tal como ela é. A verdade é que fui criando estratégias de sobrevivência, para que este viver não fosse tão pesado, frustrante... Bem no começo da vida, ou no período infantil, lidamos com poucas contradições, então estas acomodações eram por conseguinte, menos exigidas de mim.
Conforme fui crescendo, e as relações interpessoais aumentando, estas invenções, balanceamentos e aceitações tiveram que ficar mais rebuscadas, mas hoje dentro de um dos contextos sociais mais pragmáticos da comunidade humana, ou seja, a escola, vejo que estes exercícios tem se tornado a cada dia mais tortuosos, difíceis mesmo, por que me vejo num emaranhado de contradições, insensibilidades, e outras porções de sentimentos que me remetem a uma angustia viciada e também duvidosa sobre os caminhos que deveria tomar.
Acredito que somos responsáveis pelas escolhas que fazemos, sejam elas honestas e coerentes ou não. Mas não sei se tenho sido, e reconheço, de uma ingenuidade grotesca, mas tenho esperado do outro , ou seja, dos sujeitos que me circundam que tenham também esta crença, como se minha verdade fosse o axioma central para a resolução de todos os problemas do universo.
Pois bem, de fato, nenhuma das minhas expectativas ocorreram, então supus, que estava realmente abandonada aos meus problemas ideológicos internos. Assim, mais a frente, reparei que minha atitude se baseava num anseio de encontrar alguém no qual eu pudesse me espelhar, esperando, deste outro, ações coerentes e menos verborrágicas. Estava exigindo de maneira incompreensível que este outro, fosse mais integro e honesto do que eu mesma conseguia ser. Quero que o sujeito com o qual me relaciono seja um representante concreto de uma humanidade que não visualizo em mim mesma.
Mas de fato será mesmo que sou tão cruel e mesquinha a este ponto. E fui obrigada a reparar que não, eu não conseguiria agir com tamanha vileza, ao passo que também não deveria esperar de mim, tamanha benevolência, e isto tudo dentro de um universo minúsculo, aparvalhado, pelas tantas relações que tenho que estabelecer, pelos modos como devo me reconhecer e atuar. E minha identidade professoral tem se desintegrado e me desintegrado de tantos modos. Há um sentimentos estranho de que tudo poderia ser mais fácil ou menos dolorido, não fossem os egoísmos e vaidades que tenho de lidar em mim e nos outros, então cada vez que me levanto, eu penso: será que hoje que não vou dar conta?
A bem da verdade é que queria protestar, por que as vezes me sinto violentada, e estando traumatizada pelos tantos reveses, distorções e até mesmo desumanidades, tenho medo de que minha raiz tenha endurecido, tenho medo de banalizar estes sentimentos ao ponto da minha capacidade, de ao menos disfarçar, estas minhas incompreensões cotidianas, esta minha dificuldade em estar na vida, sejam dilaceradas e eu não tenha mais como me estabelecer e sobre tudo sustentar quem eu sou.
Hoje tenho inúmeras duvidas, principalmente sobre a crença nesta mudança na humanidade em si, pois não é naquele outro sujeito distante, dos governantes, dos formadores de opinião em geral, onde me espelho e mantenho minhas esperanças, mas sim, mantenho minhas expectativas e promessas em mim e naqueles que me são afins.
É só um grito...

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Nossa foto nova... nosso canto,
nossa conversa quente
teu cheiro meu cheiro, teu pelo meu desejo
Uma lembrança viva... Nossa voz no escuro, teu beijo... que beijo!
Teu sorriso, no meu ouvido,
meu suspiro profundo, sem folêgo
teu peito no meu sentido, teu fogo me consumindo
Uma confusão de um só instante, que instante
Teu olhar sobre meus segredos
meu receio sobre teu medo,
Me cerca, me cega, me prende
Deixa estas histórias tolas, teu passado e tuas duvidas,
vem cuidar de mim, que sou tua, me ame como ontem
Eu te quero como sempre, pra sempre
pra sempre

terça-feira, 10 de maio de 2011

latencia

Então eu grito e pouco da minha voz se ouve
Por que já é tão vazio o espaço que nada mais ecoa
E meu poema tem sido tão triste
Tenho sido barbarizada, violentada
E não quero que isto se naturalize em mim,
ainda que grande parte da vida tenha sido assim
A solidão, o isolamento, a indiferença me apavoram
Me retardam, porém não me calo,
Meu peito anda calejado, mas a cada tapa ainda sangro por dentro
Eu não quero dar conta
Eu não deveria, isto não devia estar sendo dito
Eu queria sim, aquele mundo mais digno,
Queria poemas e canções bonitas
A cada pedrada que levo fico mais longe deste sonho
Por que só penso, depois, em retribuir tal gesto
Penso em afogar uma magoa ou outra,
Penso que meus nervos não vão suportar mais injurias
Mais descaso ou mais misérias
Posso esquecer uma ou outra ofensa
Posso ignorar uma ou outra violência
Mas não posso me acomodar a isto
Ainda que não haja em vista nenhuma outra realidade
Há em mim latência, a palavra pulsa
A vida inflama,
Por que ainda há desejo,
Há um sonho
E muitas vozes que gritam comigo...
Então logo minha força se refaz
Por que se sangra ainda há existência
E eu ainda estou viva.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Não faça assim... eu vou sair, respirar um pouco...
Não olhe ainda, estou me refazendo
É tão simples podemos tentar de novo
Podemos tentar pra sempre...
Por isto é denso, só escrevo quando ta dolorido
Quando ja falta espaço...
E esta tudo pequeno... esta tudo indo além...

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Fechando ciclos

Um pouco de paz... e só...
Está tudo girando, se rompendo, é preciso jogar tanta coisa fora...
É preciso colocar tanta coisa em seu lugar...
Faz tempo... que não quero ser forte em todos os momentos.
Quero um agora um pouco mais sereno do que o ontem...
Que minhas bobeiras possam ser mais leves, é meu ano novo de novo, estou passando, cansada por tentar acalmar corações para que no fundo, eu não seja mais atingida, ou mesmo que estes conflitos causem menos impacto em mim.
Quero a serenidade sim de quem se tornou um pouco mais amadurecida, e assim sendo, tenha criado alguns calos pra sentir um pouco menos tanta desordem...
Quero não ter cegado pela pressa que tenho de enfrentar em mim todos dias pra ser qualquer coisa na vida, quero saber se dei frutos bons ao mundo e as pessoas que esperam de mim um pouco mais de humanidade. Quero não ter, por qualquer razão estranha a minha vontade, causado tantos estragos e assim sendo, criado alguma esperança que não quero em mim, ver morta...
Quero por minha natureza, rupestre as vezes, densa e por vezes nervosa, não ter deixado lições tortas aqueles que neste ano cruzaram meu caminho...
Espero que ainda haja pelos dias que ão de vir, sustentar minha cabeça, meu corpo e meus desejos para os mesmos me dêem sentido para que, assim eu possa viver mais alguns dias ilesa de minha propria maldade e que eu possa dar esta resposta ao meu proprio mundo, por que só tendo estas mudanças efetivas e internas é que poderei cobrar aquilo que almejo dos outros e da vida como um todo...

terça-feira, 3 de maio de 2011

Indo

Eu não queria ter aquela sensação de quem quer voltar...
Mesmo que para olhar o horizonte não haja ainda aquela dúvida, se este não seria o melhor lugar...
Quero ainda ter aquele gosto de que de repente, eu tenha de ma dar conta, mais a frente, de que me falta uma parte da minha vida...
Dizem que a vida é feita de pequenos momentos de angustia e relaxamento, de desespero e equilibrio e ... e com tudo isto crescemos, absorvemos uma pequena parte do sentido da vida...tão doce e acre em todo tempo.
Agora me sinto tão mirra, há decisões em vista...e não queria ter duvidas sobre o que é melhor, talvez seja apenas seguir...
Não quero ter neste momento aquele exato sentimento, de quem está indo mas não quer ir...

sábado, 30 de abril de 2011

É, tenho medo do teu mundo
pelo que desconheço
tenho a pesar sobre mim tua pele o teu sentido
algo que deslancha entre meus pensamentos e gostos
Te sinto, como uma vibração continua
queria afanar um desejo de ti
Queria o desejo deturpado de mim
que eles não significassem medo
nem desordem
queria ... mas tão longe me sinto
me desculpe por meu mundo omisso
é isto que lhe ofereço
não tenho mais nada.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Aquilo que não sei dizer

Eu queria que a canção ficasse tocando
Eu queria que tudo ficasse pulsando
Eu queria me aquietar num canto
As vezes eu queria nem ter saudades
Eu poderia ser mais surpreende
Eu precisava te cobrar menos
Eu prscisava sonhar mais
Mas a vida tem me feito tantos estragos
Eu bem queria não ter endurecido
Queria te dizer coisas bonitas...
Eu sei é tudo um grande sonho
Eu queria não ter medo
Pra não dormir assustada
Te dou meu copo de vinho,
eu quero te embriagar de mim
quero que nosso amor seja grande
Eu não tenho muito o que dar de mim
Me fizeram tantas dores
quero experimentar o eterno
que fosse doce
que fosse com você.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Eu tambem queria ter as respostas... Queria saber por que quando a piada se repete perde a graça... to vendo o mesmo filme de novo, ouvindo as mesmas músicas, mas tudo parece diferente, meu medo é ainda maior, queria ficar naquela porra de zona de conforto, um instante, de mê um só instante... Estou me enchendo disto, não quero mais dar conta... quero por um segundo, que alguém me dê conta, pq estou pesando, estou pesando...

domingo, 17 de abril de 2011

Preciso entrar em tua carne,
sentir o quanto pesa o teu desejo
pra acreditar na veracidade disto tudo
Eu até preciso da dúvida, ainda que me fira, que ponha a carne viva
Por que aprendi a vida inteira que o amor nos deixava aos pedaços
Aprendi a ter medo do que me eleva sem doer
Aprendi a não me deixar ser levada por que o que era bonito demais
adveio de falsas promessas
Então eu preciso te sentir, sentir o tudo
Desde o seu inferno até o seu pesar
Teu fogo e tuas cicatrizes
tuas incertezas e tempestades
haverão marcas dos nossos encontros e desvelos
Em nossas paredes e quadros
Nossos passados se encontrarão e trarão toda espécie de desassossego
pois só ele, o passado, é testemunha do que nos tornamos
carne, suor e sentimentos
tua canção toca em mim a cada manhã
e eu sei que tudo isto também
é como chamamos o amor

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

me ensina voar?

Era muita vida,
e eu podia me encher dela,
me encher tanto até me vazar nela,
e tudo aquilo escorreria direto pra você.
Quando você me olhou,
me viu por dentro,
era como se eu já não tivesse mais o que esconder,
me contornou com tanto zelo,
me acolheu,
feito uma ave que aconchega teus filhotes no ninho,
era tanta vida, em você...
Eu queria te prender em meus olhos,
mas a imensidão ainda era pouco pra ti...
e mais ainda eu te queria,
eu te perguntava delirante: me ensina a voar?
Pelo teu céu escuro...
me ensina a passar em meio a tuas tempestades e sair ilesa,
me deixa decorar, teu caminho,
teu som e tua reza,
me ajuda a dormir sorrindo
e acordar cantando,
pois tuas cores se espalham ao meu redor,
e nem sei mais como sentir tanto a tua vida...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

As crianças

Ela chegou perto de mim, pôs os braços em volta do meu pescoço e disse assim: "Você tem um cheiro bom...tem o cheiro da minha mãe".
Eu nem sei porque, ou mesmo se a guriazinha entendia...mas com esta frase me deixou o dia inteiro feliz... Depois pensei comigo como eu estava realmente bem e me achei boba, quando uma outra guria (havia feito um tremendo escândalo no primeiro dia) chegou pra mim e disse "hoje eu não chorei, você vai ficar o dia todo hoje?" E eu que nem besta quase chorei...Acho que eles nem entendem, o quanto a espontaneidade deles me tranquiliza, e como me fazem perceber o quanto as coisas ainda tem jeito. E pra finalizar um outro guri, lindo diga-se de passagem, chegou perto do meu rosto e soltou a pérola: "Amanhã vou trazer flores pra você". Pra ser honesta, eu não saberia como viver sem estas coisas, eu não saberia como ser qualquer outra coisa na vida...
É sim hoje eu estou feliz...mas como sou tola, tento me convencer de que mereço estar nisto tudo, exatamente assim...eles conseguem me convencer todos os dias, as vezes apenas sorrindo gostoso, ou quando passam as mãos nas minhas tranças, ou quando envergonhados dizem apenas um oi, como querendo dizer estou aqui também... eu preciso é disto.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Somente pra você

Sim gosto de ti, enredada num desejo mascavo e pueril
E nisto se cabe todo o sentido
Atravancada por vontades tolas
Embora enrustida em promessas e dramas
Me concedo a frenesi de externar em mim
As vertentes que guardo sobre as singularidades do que é querer
E amo-te envaidecida, e febrilmente
Como aquele corpo quente que lhe entrego todas as noites
Te chamo querendo me achar por teu corpo e teu cheiro
E tendo a certeza que uma vida inteira ainda seria pouco
A tudo que gostaria de lhe mostrar
E como minha memória sempre falha
Eu nunca lhe digo tudo
E aquilo que chamaria de absurdo
Fica subentendido, pelos gemidos que um toque seu me faz revelar,
E te entrego meus segredos e gestos
Ainda que sob juras e protestos
Foi em você onde aprendi a conjugar o verbo amar

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Não há nada de revolucionário

Não há nada de revolucionário
em se querer um trabalho melhor,
e querer ter alguns dias de lazer,
em ter raiva de ônibus lotado,
em querer ter medico no horário,
em ver meus impostos bem empregados,
em ter um bom salário e que ele seja digno do oficio que exerço,
em querer andar pelas ruas e contemplar um céu que não se pareça com minhas sombras
em querer que as pessoas paguem por seus crimes,
e que não paguem por sua absolvição por terem mais posses
Não é revolucionário olhar pra cada dia e se indignar com a falta de respeito com idosos e crianças
com seres humanos que ficam jogados pelas sarjetas de cada esquina
Pela mão que nunca será dada aqueles que estão isolados do que significa dignidade
De ver escolas sendo depredadas por dentro e por fora, por políticas que nunca respondem as suas necessidades mais básicas...
é bem eu ando é revoltada e isto não tem nada ver com revolução... é só um querer muito básico de que o ser humano seja pelo menos digno da palavra humano... por que se somos o cume da cadeia evolutiva deveria ser pelo menos vergonhoso ainda estarmos neste nível de alienação...

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Olhar

Olhe-me, mesmo tendo caído diversas vezes, em buracos muitas vezes extremamente profundos, ainda é o mesmo corpo que carrego, ainda tenho as mesmas marcas... então enquanto me beija lembre-se disso, as partes que salientam são cicatrizes que jamais verás no escuro, apenas poderá senti-las... ouve-me, ainda tento falar contigo...

sábado, 22 de janeiro de 2011

Meu desejo

Fala, mas fala bem devagarinho...
que eu quero acompanhar cada pedaço,
como se eu estivesse a te degustar
Então crava a tua estrada
na porta da minha entrada
Escreva teu nome em minha janela
Me olhe inteira, daquela maneira
De quem sabe o que quer dar
Mas que me toma inteira
E sei que tudo isto não é justo
Este amor, é um amor puto,
que nasceu só pra te fazer gozar...
então fala, mas fala baixinho
entra por minhas veias
me confunde toda
Por que quero me perder de vista
Ainda que correndo risco de jamais voltar completa
Eu quero ainda me enrolar no teu cheiro
Me afogar nos teus sabores,
Desejo ser a tua dor e a tua cura
Ser teu pedaço de céu
Desejo ser teu porre e tua ressaca
Ser um pouco das tuas lágrimas e uma parte do tom da tua risada
Desejo ser teu arrepio e teu medo
Teu absurdo, e tuas dúvidas
tua loucura, tua pátria
Desejo ser tua, como meu corpo adormecido
quando relaxa junto ao teu
Desejo estar no toque que te acende
Estar na corrente que te orienta
Desejo invadir tuas noites e teus sonhos
Então serei absolutamente tua
como a semente está para a terra
Meu espírito estará para teu peito
E minha direção para teus planos.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Alinhando

Dei por falta de mim...
E era muito difícil evitar, agora que tudo está se alinhando
Ainda não consigo findar o verso
Ao cair da tarde as coisas ainda vagueiam
Eu penso que talvez um alucinógeno resolva
Um amolgo resolva... um nó, um toque de tambor
Mas ainda assim me perco toda ainda que presa em teu peito
Vou me levando, me balançando
Aquele flerte com o tempo... eu espero um pouco mais
Me externo fingindo afores
Mesmo assim não reduz ilusões, nem mesmo o que herdei
Por que me sinto a beira do despenhadeiro
E tu me olhas de longe fingindo complacência
Sabe que não estarás aqui quando amanhecer o dia
Sabe que não decorei o passado
E vivo como se tudo fosse novo
Mesmo que eu saiba das dores, reluto
Eu chorei mesmo, assumo, no finito dos meus dias, eu sei agora
quero sim, perder estas coisas que são tuas
e no minuto seguinte eu morrerei, pois vou tê-lo quisto ainda mais...
e vou ter medo, vou ser morna e febril, vou te revelar minhas cartas
eu já perdi este jogo...

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Lascisante

Gosto disto, fiquei meio a esmo, estando, me testando e vi de certa forma do que gosto, gosto de fazer o que amo, gosto de acordar todos os dias pra isto... e me sentir cada vez mais lasciva... Ainda faço questão de não marcar hora, de nem sempre ter tudo planejado, de as vezes dar um sinal de que minhas veias estão saltando, que procuro não me esconder entre palavras, e que erro e nem sempre assumo o quanto errei...Hoje em plena escuridão dos meus pensamentos, há momentos em que ele retumba, me dando a entender que nunca vou ter domínio de tudo... mas é assim que a vida se apresenta a mim, e se procurar me enquadrar vou chegar ao meu limite, e vou perder as coisas que só um olhar simples e tocado é capaz de contemplar, como aqueles rostos bonitos e infantis, como aqueles silencios da madrugada que as vezes são rompidos, por aqueles que dançam e vivem, como vou conseguir ouvir os eu te amo que devem ser cheios significados, daqueles olhares enfeitiçados que embora jogados ao acaso, possam encurtar o enredo e de que repente se encontrar, quero ouvir canções de amor e torcer pra que eu não endureça, torcer pra que alguém percebendo isto, me traga de volta a realidade que não deve ser de todo crua, e dura... E neste todo quero ouvir aquele assovio e assim, devo deixa-lo arrepiar meu espírito, quero mais não ter vergonha de parecer tola, por que meu espetaculo se dará ainda por dias, e enquanto não fecham as cortinas eu preciso me dar conta de experimentar sempre um novo começo... mesmo que alguém me diga que não será possível o final que planejo. Quero por fim tomar porres noturnos, sangrar pelo que foi perdido, afagar meus amigos em conversas intermináveis, acreditar que nos meus planos infalíveis, regurgitar o que não foi justo, abraçar aquilo que era meu e nunca ficarei sabendo, pensar novamente que deveria ter acordado mais cedo, não me arrepender nenhum só momento pela vida que entreguei ao que acreditava e a quem acreditava. Estar feliz e triste por amar alguém e saber que é deste jeito, estarei feliz por ele me faz bem e triste por que se ausenta... e estas coisas malucas que saem de mim desbaratadas e quentes, me põe do avesso, me dá enredo, me diz um pouco sobre quem de fato eu sou e o que ainda não cheguei a ser...

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Enquanto durou...

Ele olhava pra ela... e de fato não sabia o que lhe dizer. Apenas sentia e dentro dele, as emoções lhe fundiam. Pensava que podia deixar de lado, pensava que quando fosse hora, não teria dúvidas, pensou que era só partir.
Mas agora seu coração rugia, como se tudo que tivesse vivido até agora fosse um engano, suas crenças e sonhos, estava em si magoado, pelas coisas que ele mesmo havia causado, decretou seu estado de torpor, e como para fingir-se resignado aceitou...
ela estava agora calma ja havia sofrido todas as outras coisas de antemão, nada lhe fugia a regra, nada era muito novo, sentiu dó por ele, o reconhecia, sabia de sua frustração interna, mas não o ajudou... pensou no todo, que há coisas que não se absorvem...
Então como se fosse dada evidencia, ele se despediu, sem abraço, sem beijo, apenas um olhar no vazio, ele era assim... ela não relutou, aceitou, mesmo que em si, tivesse todas as lágrimas a postos, de careta engatilhada torceu pra que ele saísse rápido e não visse a batalha que agora iria travar consigo mesma. Sabia das canções que agora ouviria, sabia dos porres que tomaria,
Ele catalogaria novamente os fatos, aquilo que deu errado, prometeria a si mesmo fazer diferente na próxima, desacreditaria de sua existência, formularia novos e ligeiros planos...
Os dias que virão serão temíveis, sabem exatamente como o será, pois já os vivenciaram antes...só não entendem por que foi tão difícil, e pensam, só pensam...
Eles sempre se antecederam aos fatos, e agora, são apenas alguns dias, mas eles tem medo de abrir os olhos quando amanhece o dia. Tem medo dos bons dias que terão de dar, dos amigos que evidentemente vão encontrar pelo caminho e que lhes perguntarão sobre o passado que estão tentando apagar...
Sabem que não foi um adeus pra sempre, mas entendem que tudo agora será muito diferente...e pensam que gostariam de voltar antes de tudo isto, pra viver de novo, pra ser de novo o que não conseguiram ser por falta de experiência, vão chorar um pouco, não vão querer ficar só, vão cometer todas as loucuras de antes novamente... Eles sabiam que tudo isto aconteceria, apenas adiaram o fim por alguns dias...

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Quem tem olhos que veja...

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Erros

Hoje estava ouvindo uma canção... uma parte dela, mesmo sem que eu soubesse a tradução, me falava de solidão... e eu pensei que fosse um erro, quando dois corações batem juntos, e ainda assim, se sentem sozinhos...
Então, num momento seguinte, um culparia ao outro por suas fraquezas e aquela canção que ouviam juntos, ficaria cada vez mais distante. Então ele lhe diria que talvez fosse melhor caminhar sozinho, e ela o chamaria de covarde por isto. E sem entender seus medos, abririam suas garrafas de vinho, dariam nomes a seus ruídos internos, os chamariam de dramas e se sentiriam resignados, dizendo a sua própria mente, que foi melhor assim...
E acabaria realmente o sentido de suas piadas tolas, aquelas que só os dois entendiam, ainda que os dias tenham sido mais bonitos, ainda que os sorrisos tenham sido livres, ainda que seus corpos tenham se entendido, ainda que que as canções ouvidas, a partir de agora, venham a sair do tom... mesmo que eles tenham aprendido que amar, era de uma outra forma: era daquele jeito que não doía, como nos filme de amor brega que costumavam assistir juntos... Que poderia ser sonho sem ter havido planos...ainda assim, mesmo sentindo ao final da tarde que o dia inteiro não lhe valeu apena, talvez eles pensem agora, que o ritmo de suas batidas sejam realmente diferentes, e que por tanto, tal compasso não valesse mais apena ser tentado.
Eles olharão para o céu de lugares distantes agora, e vão pensar conseqüentemente que poderiam ter feito mais e melhor, mas será tarde, talvez eles pensem que se pudessem ter se encontrado mais cedo, sem tantos ruídos, sem os discos arranhados, quem sabe a canção poderia continuar tocando ao fundo...das ruas antigas, do quarto apagado, dos corações em brasa...
Ele também achou, que cercado de experiências, os sinais de suas mágoas ficariam menos perceptíveis, então contou pouco sobre si mesmo, entristeceu-se por isto, mas não conseguiu fazer diferente, carregou-a, foi gentil, mas sabe que foi pouco e não teve mais para dar...
Ela ficou, quis ter o melhor que podia dele, exigiu, brigou, mas ao final, fraquejou, as mágoas também nasciam dela...
A vida passa mais devagar, as cores se misturam, o disco vai e volta, e não há mais sinal, apenas suspiros que tentam vencer a madrugada de corações que agora batem solitários até o amanhecer... até que forjem uma nova tentativa, até que consigam esquecer os erros, até que não sintam mais saudades, até que as canções sejam apenas lembranças que façam fundo aos novos romances, aos que virão em suas vidas.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Inspiração

Hoje fiquei pensando nesta coisa de inspiração. Quando é que algo toma forma dentro da gente e nos revira, nos atormenta tanto que acaba por ser impossível ficar com isto ou aquilo guardado. Ontem percebi o quanto damos formas aos sentimentos, hora nos podando, hora esbravejando e pondo tudo fora, mas será que há um termômetro em nossa cabeça que nos avisa que chegou o momento? De criar, de sentir, de se deixar gostar, de perder medos, de voltar, de pedir socorro? Quando será que a coisa toda acontece... Eu não sei e também não faz muita diferença. Inspiração então é como um sentimento que de repente nasce, agente põe pra fora com ou sem melindre, correndo risco de que alguém não goste...enfim, eu disse eu te amo, e a mim pareceu como arte, e quando ouvi a resposta cantou feito poesia na minha mente, no meu corpo, no meu ventre, eu não estou inspirada é nada, estou encharcada de amor e tesão, fazendo manha, brincando nos espelhos, estou afogada de fantasia, estou sonhando de pés descalços. Me leve para sempre, ou por alguns dias, por quanto durar, pela eternidade, só notei quando realmente amava alguém, quando não pude nem pensar em sua ausência, quando vi que o mundo poderia acabar ali por que ele estava ao meu lado, pra não ficar melosa demais acho que fico por aqui, flanando um pouco, te cheirando...