Hoje estava ouvindo uma canção... uma parte dela, mesmo sem que eu soubesse a tradução, me falava de solidão... e eu pensei que fosse um erro, quando dois corações batem juntos, e ainda assim, se sentem sozinhos...
Então, num momento seguinte, um culparia ao outro por suas fraquezas e aquela canção que ouviam juntos, ficaria cada vez mais distante. Então ele lhe diria que talvez fosse melhor caminhar sozinho, e ela o chamaria de covarde por isto. E sem entender seus medos, abririam suas garrafas de vinho, dariam nomes a seus ruídos internos, os chamariam de dramas e se sentiriam resignados, dizendo a sua própria mente, que foi melhor assim...
E acabaria realmente o sentido de suas piadas tolas, aquelas que só os dois entendiam, ainda que os dias tenham sido mais bonitos, ainda que os sorrisos tenham sido livres, ainda que seus corpos tenham se entendido, ainda que que as canções ouvidas, a partir de agora, venham a sair do tom... mesmo que eles tenham aprendido que amar, era de uma outra forma: era daquele jeito que não doía, como nos filme de amor brega que costumavam assistir juntos... Que poderia ser sonho sem ter havido planos...ainda assim, mesmo sentindo ao final da tarde que o dia inteiro não lhe valeu apena, talvez eles pensem agora, que o ritmo de suas batidas sejam realmente diferentes, e que por tanto, tal compasso não valesse mais apena ser tentado.
Eles olharão para o céu de lugares distantes agora, e vão pensar conseqüentemente que poderiam ter feito mais e melhor, mas será tarde, talvez eles pensem que se pudessem ter se encontrado mais cedo, sem tantos ruídos, sem os discos arranhados, quem sabe a canção poderia continuar tocando ao fundo...das ruas antigas, do quarto apagado, dos corações em brasa...
Ele também achou, que cercado de experiências, os sinais de suas mágoas ficariam menos perceptíveis, então contou pouco sobre si mesmo, entristeceu-se por isto, mas não conseguiu fazer diferente, carregou-a, foi gentil, mas sabe que foi pouco e não teve mais para dar...
Ela ficou, quis ter o melhor que podia dele, exigiu, brigou, mas ao final, fraquejou, as mágoas também nasciam dela...
A vida passa mais devagar, as cores se misturam, o disco vai e volta, e não há mais sinal, apenas suspiros que tentam vencer a madrugada de corações que agora batem solitários até o amanhecer... até que forjem uma nova tentativa, até que consigam esquecer os erros, até que não sintam mais saudades, até que as canções sejam apenas lembranças que façam fundo aos novos romances, aos que virão em suas vidas.
Um comentário:
Suave e tocante como chuva lançando-se contra o rosto num fim de tarde.
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