Então eu grito e pouco da minha voz se ouve
Por que já é tão vazio o espaço que nada mais ecoa
E meu poema tem sido tão triste
Tenho sido barbarizada, violentada
E não quero que isto se naturalize em mim,
ainda que grande parte da vida tenha sido assim
A solidão, o isolamento, a indiferença me apavoram
Me retardam, porém não me calo,
Meu peito anda calejado, mas a cada tapa ainda sangro por dentro
Eu não quero dar conta
Eu não deveria, isto não devia estar sendo dito
Eu queria sim, aquele mundo mais digno,
Queria poemas e canções bonitas
A cada pedrada que levo fico mais longe deste sonho
Por que só penso, depois, em retribuir tal gesto
Penso em afogar uma magoa ou outra,
Penso que meus nervos não vão suportar mais injurias
Mais descaso ou mais misérias
Posso esquecer uma ou outra ofensa
Posso ignorar uma ou outra violência
Mas não posso me acomodar a isto
Ainda que não haja em vista nenhuma outra realidade
Há em mim latência, a palavra pulsa
A vida inflama,
Por que ainda há desejo,
Há um sonho
E muitas vozes que gritam comigo...
Então logo minha força se refaz
Por que se sangra ainda há existência
E eu ainda estou viva.
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