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sexta-feira, 13 de maio de 2011

Apenas mais um grito

Desde minha infância, sempre tive certa dificuldade em aceitar a vida tal como ela é. A verdade é que fui criando estratégias de sobrevivência, para que este viver não fosse tão pesado, frustrante... Bem no começo da vida, ou no período infantil, lidamos com poucas contradições, então estas acomodações eram por conseguinte, menos exigidas de mim.
Conforme fui crescendo, e as relações interpessoais aumentando, estas invenções, balanceamentos e aceitações tiveram que ficar mais rebuscadas, mas hoje dentro de um dos contextos sociais mais pragmáticos da comunidade humana, ou seja, a escola, vejo que estes exercícios tem se tornado a cada dia mais tortuosos, difíceis mesmo, por que me vejo num emaranhado de contradições, insensibilidades, e outras porções de sentimentos que me remetem a uma angustia viciada e também duvidosa sobre os caminhos que deveria tomar.
Acredito que somos responsáveis pelas escolhas que fazemos, sejam elas honestas e coerentes ou não. Mas não sei se tenho sido, e reconheço, de uma ingenuidade grotesca, mas tenho esperado do outro , ou seja, dos sujeitos que me circundam que tenham também esta crença, como se minha verdade fosse o axioma central para a resolução de todos os problemas do universo.
Pois bem, de fato, nenhuma das minhas expectativas ocorreram, então supus, que estava realmente abandonada aos meus problemas ideológicos internos. Assim, mais a frente, reparei que minha atitude se baseava num anseio de encontrar alguém no qual eu pudesse me espelhar, esperando, deste outro, ações coerentes e menos verborrágicas. Estava exigindo de maneira incompreensível que este outro, fosse mais integro e honesto do que eu mesma conseguia ser. Quero que o sujeito com o qual me relaciono seja um representante concreto de uma humanidade que não visualizo em mim mesma.
Mas de fato será mesmo que sou tão cruel e mesquinha a este ponto. E fui obrigada a reparar que não, eu não conseguiria agir com tamanha vileza, ao passo que também não deveria esperar de mim, tamanha benevolência, e isto tudo dentro de um universo minúsculo, aparvalhado, pelas tantas relações que tenho que estabelecer, pelos modos como devo me reconhecer e atuar. E minha identidade professoral tem se desintegrado e me desintegrado de tantos modos. Há um sentimentos estranho de que tudo poderia ser mais fácil ou menos dolorido, não fossem os egoísmos e vaidades que tenho de lidar em mim e nos outros, então cada vez que me levanto, eu penso: será que hoje que não vou dar conta?
A bem da verdade é que queria protestar, por que as vezes me sinto violentada, e estando traumatizada pelos tantos reveses, distorções e até mesmo desumanidades, tenho medo de que minha raiz tenha endurecido, tenho medo de banalizar estes sentimentos ao ponto da minha capacidade, de ao menos disfarçar, estas minhas incompreensões cotidianas, esta minha dificuldade em estar na vida, sejam dilaceradas e eu não tenha mais como me estabelecer e sobre tudo sustentar quem eu sou.
Hoje tenho inúmeras duvidas, principalmente sobre a crença nesta mudança na humanidade em si, pois não é naquele outro sujeito distante, dos governantes, dos formadores de opinião em geral, onde me espelho e mantenho minhas esperanças, mas sim, mantenho minhas expectativas e promessas em mim e naqueles que me são afins.
É só um grito...

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