Tecer-me livremente por palavras, gritos sentidos, choros que não calei, declarações por fazer, versos que li, coisas assim...
Entre
E ai puxe a cadeira, sente nas paredes, aqui tudo é permitido, menos palavrão, pelo menos você não, de resto fique a vontade...
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Cheiro de terra
As janelas abrem-se pelas fortes ventanias... Minha mãe nos escondia embaixo da beliche por que as paredes tremiam e o telhado rangia. Naquele tempo, minhas preocupações se limitavam as bonecas perdidas, nas brigas com meus primos e irmãos, ninguém pedia desculpas. Mas a chamada pra brincadeira já dizia que havíamos nos perdoado. Eu lembro bem do cheiro de terra quando a chuva caía, nossos corpos balançando pelos barrancos escorregadios e enlameados. Havia qualquer coisa nestes momentos que se fazia justa, minha mãe que corria atrás da gente com os chinelos em punho às vezes escorregava e se inflamava de uma raiva sentida. E depois de termos nos esquentado com as chineladas iminentes ríamos cada um em seu mundo, erámos cumplices e amigos. Eu fico pensando se de fato houve um momento em que nos enrijecemos ou se aqueles instantes de magias e cheiros estão guardados e assim que sentirmos o cheiro de terra molhada e as janelas batendo, nosso espirito infantil retome suas forças e sonhos, se nos restabeleça novamente como cúmplices e amigos, pra minha mãe nos proteger dos ventos fortes, das chuvas e dos trovões monstruosos... é hoje eu acordei assim meio que com saudades de me pegar correndo, com aqueles medos, deve ser por isto que trabalho com crianças, é bem pra roubar delas o meu lugar num tempo que queria de certa forma, fosse eterno.
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