Entre

E ai puxe a cadeira, sente nas paredes, aqui tudo é permitido, menos palavrão, pelo menos você não, de resto fique a vontade...

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Eu gosto de falar de amor... embora eu pouco entenda sobre ele. Hoje eu acordei assim, vi que eu te precisava, e fiquei insegura... Coisas que nem imaginava existir passaram dentro de mim, me estranhei. Estive falando de amor hoje, pensei naqueles que amei, pensei que talvez eu tivesse me perdendo, talvez eu tivesse me emocionando, amolecendo... e descobri que também não sei lidar com isto. Lembrei que tem um momento em que as coisas irão ficar gastas, lembrei que estas mesmas coisas são tidas como naturais... Eu não queria ver... Então você voltou e me deixou amada, e tudo desapareceu... Me olhou tão docemente, disse todas aquelas palavras que eu não sabia como ouvir...me elevei... sorri dormindo, eu sentia...eu te sentia e tudo mais fez sentido... E assim que você sair novamente vou me afogar nas minhas duvidas e loucuras, mas quando você voltar...

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Folha...

Ela arregalou-se pra mim...Mas não me facilitou em nada, nem me abriu teus caminhos...eu lhe queria mostrar meus pequenos segredos, minhas dores, minhas fantasias, mas ela nem sequer sorria, e inteira lisa foi me criando medos, medos de me mostrar e descobrir que ela não me entenderia...
Queria ter-lhe desenhado, decorado... mas minha displicência nunca a agradou e ela se fecha ainda mais, me exclui de si, e eu continuo tentando seduzi-la. Mesmo assim ela me reprime, me cobra zelo e responsabilidades... Eu quero lhe dizer que só a desejo algumas vezes mas ela não me entende, e egoísta como é, chama minha atenção, só pra que eu olhe pra ela, mas desfaz de mim, pois sabe que preciso tanto dela... Então que ela se joga a minha frente e fica planando, serena e perene...teus olhares me rasgam inteira, eu a quis de qualquer maneira...
Agora tenho uma taça de vinho e um cartão... ela continua intacta, sei quero fazer-lhe uma loucura e ai esta ela, varada de minhas inconsequentes reações. Levantei-me na madrugada, tudo em mim ardia, risos e poesia, choros e soluços, frases e lembranças, saudade e insensatez. Era ele de novo, eramos nós naquele passado confuso, ela me secou esta noite, meu espírito, por fim, se aquietou.
Eu sei que me zomba agora...me acha fraca, mas quero a de novo, fora de mim, me tirando as feridas, me afogando em loucuras, me deixando a carne viva.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

era onde eu queria estar

Dá uma olhada aqui...
Estou fresca ainda
Minha expedição pra dentro de mim expirou
Por que não vê se me traz de volta
Expirou meu acaso, minha absorção
Não sei mais que fazer do verso
meu corpo se arregalou todo
Quero ficar no seu cantinho
Me conversa e me presume
Faz um pouco mais de mim, me afoga naquele carinho...que estou tão seca
Refresca meu sentido, diz que tudo vai estar bem
Inda que seja por um instante
Acaba com este mal estar de instinto
Por que já estou é muito viciada
Ele tem uma cara medonha
Eu sei que não pode afastá-lo de mim
Mesmo assim eu vou esperar que você tente
Este não era o lugar pronde eu queria ir...
Me leve pra casa, me arrasta
Sossega minha vida, meus olhos, meu sorriso
Está tudo tão tenso
Alivia meu fogo, minhas surras, minhas brigas
Estou voltando pra casa me espera com teu chá quente
me bote entre teu gosto, teu cheiro, teus pelos
me leve, Pegue esta alma meio enlouquecida
prepare-a pra teu leito
hoje só quero teu peito
amanhã eu volto pra luta
mas hoje minha batalha será contigo...

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Cheiro de terra

As janelas abrem-se pelas fortes ventanias... Minha mãe nos escondia embaixo da beliche por que as paredes tremiam e o telhado rangia. Naquele tempo, minhas preocupações se limitavam as bonecas perdidas, nas brigas com meus primos e irmãos, ninguém pedia desculpas. Mas a chamada pra brincadeira já dizia que havíamos nos perdoado. Eu lembro bem do cheiro de terra quando a chuva caía, nossos corpos balançando pelos barrancos escorregadios e enlameados. Havia qualquer coisa nestes momentos que se fazia justa, minha mãe que corria atrás da gente com os chinelos em punho às vezes escorregava e se inflamava de uma raiva sentida. E depois de termos nos esquentado com as chineladas iminentes ríamos cada um em seu mundo, erámos cumplices e amigos. Eu fico pensando se de fato houve um momento em que nos enrijecemos ou se aqueles instantes de magias e cheiros estão guardados e assim que sentirmos o cheiro de terra molhada e as janelas batendo, nosso espirito infantil retome suas forças e sonhos, se nos restabeleça novamente como cúmplices e amigos, pra minha mãe nos proteger dos ventos fortes, das chuvas e dos trovões monstruosos... é hoje eu acordei assim meio que com saudades de me pegar correndo, com aqueles medos, deve ser por isto que trabalho com crianças, é bem pra roubar delas o meu lugar num tempo que queria de certa forma, fosse eterno.

Corremos o risco de chorar um pouco quando nos deixamos cativar

Em cada verso houve um pouco de despedida
A cada ausência me perdia aos poucos
E te pedi, pedi coisas em demasia
Pedi por noites que não poderiam ter sido minhas

Chamei por alguém que estava só de passagem
como uma falsa paisagem
Eu quero deixar minhas mágoas de lado
Nossas sombras, aquele velho passado...

Esperei por um milagre
Devo lhe dizer já estou indo também
Sem enlouquecer e apenas triste
Espero por tanto que você esteja bem