Entre

E ai puxe a cadeira, sente nas paredes, aqui tudo é permitido, menos palavrão, pelo menos você não, de resto fique a vontade...

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

me ensina voar?

Era muita vida,
e eu podia me encher dela,
me encher tanto até me vazar nela,
e tudo aquilo escorreria direto pra você.
Quando você me olhou,
me viu por dentro,
era como se eu já não tivesse mais o que esconder,
me contornou com tanto zelo,
me acolheu,
feito uma ave que aconchega teus filhotes no ninho,
era tanta vida, em você...
Eu queria te prender em meus olhos,
mas a imensidão ainda era pouco pra ti...
e mais ainda eu te queria,
eu te perguntava delirante: me ensina a voar?
Pelo teu céu escuro...
me ensina a passar em meio a tuas tempestades e sair ilesa,
me deixa decorar, teu caminho,
teu som e tua reza,
me ajuda a dormir sorrindo
e acordar cantando,
pois tuas cores se espalham ao meu redor,
e nem sei mais como sentir tanto a tua vida...

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

As crianças

Ela chegou perto de mim, pôs os braços em volta do meu pescoço e disse assim: "Você tem um cheiro bom...tem o cheiro da minha mãe".
Eu nem sei porque, ou mesmo se a guriazinha entendia...mas com esta frase me deixou o dia inteiro feliz... Depois pensei comigo como eu estava realmente bem e me achei boba, quando uma outra guria (havia feito um tremendo escândalo no primeiro dia) chegou pra mim e disse "hoje eu não chorei, você vai ficar o dia todo hoje?" E eu que nem besta quase chorei...Acho que eles nem entendem, o quanto a espontaneidade deles me tranquiliza, e como me fazem perceber o quanto as coisas ainda tem jeito. E pra finalizar um outro guri, lindo diga-se de passagem, chegou perto do meu rosto e soltou a pérola: "Amanhã vou trazer flores pra você". Pra ser honesta, eu não saberia como viver sem estas coisas, eu não saberia como ser qualquer outra coisa na vida...
É sim hoje eu estou feliz...mas como sou tola, tento me convencer de que mereço estar nisto tudo, exatamente assim...eles conseguem me convencer todos os dias, as vezes apenas sorrindo gostoso, ou quando passam as mãos nas minhas tranças, ou quando envergonhados dizem apenas um oi, como querendo dizer estou aqui também... eu preciso é disto.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Somente pra você

Sim gosto de ti, enredada num desejo mascavo e pueril
E nisto se cabe todo o sentido
Atravancada por vontades tolas
Embora enrustida em promessas e dramas
Me concedo a frenesi de externar em mim
As vertentes que guardo sobre as singularidades do que é querer
E amo-te envaidecida, e febrilmente
Como aquele corpo quente que lhe entrego todas as noites
Te chamo querendo me achar por teu corpo e teu cheiro
E tendo a certeza que uma vida inteira ainda seria pouco
A tudo que gostaria de lhe mostrar
E como minha memória sempre falha
Eu nunca lhe digo tudo
E aquilo que chamaria de absurdo
Fica subentendido, pelos gemidos que um toque seu me faz revelar,
E te entrego meus segredos e gestos
Ainda que sob juras e protestos
Foi em você onde aprendi a conjugar o verbo amar

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Não há nada de revolucionário

Não há nada de revolucionário
em se querer um trabalho melhor,
e querer ter alguns dias de lazer,
em ter raiva de ônibus lotado,
em querer ter medico no horário,
em ver meus impostos bem empregados,
em ter um bom salário e que ele seja digno do oficio que exerço,
em querer andar pelas ruas e contemplar um céu que não se pareça com minhas sombras
em querer que as pessoas paguem por seus crimes,
e que não paguem por sua absolvição por terem mais posses
Não é revolucionário olhar pra cada dia e se indignar com a falta de respeito com idosos e crianças
com seres humanos que ficam jogados pelas sarjetas de cada esquina
Pela mão que nunca será dada aqueles que estão isolados do que significa dignidade
De ver escolas sendo depredadas por dentro e por fora, por políticas que nunca respondem as suas necessidades mais básicas...
é bem eu ando é revoltada e isto não tem nada ver com revolução... é só um querer muito básico de que o ser humano seja pelo menos digno da palavra humano... por que se somos o cume da cadeia evolutiva deveria ser pelo menos vergonhoso ainda estarmos neste nível de alienação...

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Olhar

Olhe-me, mesmo tendo caído diversas vezes, em buracos muitas vezes extremamente profundos, ainda é o mesmo corpo que carrego, ainda tenho as mesmas marcas... então enquanto me beija lembre-se disso, as partes que salientam são cicatrizes que jamais verás no escuro, apenas poderá senti-las... ouve-me, ainda tento falar contigo...