Faz alguns anos que escrevo cartas ao final do ano. Nelas descrevo as loucuras, os dissabores, os encontros, as frustrações, as despedidas em abraços apertados, os beijos roubados, as separações atravancadas, entre outras coisas...
Este ano estou realizando uma experiência diferente e um pouco mais técnica, que é postar a carta aqui, para ter testemunhos latentes sobre a coisa escrita, ou melhor, o tempo vivido.
Pois sendo assim, sem fazer pontuações sobre fatos específicos e nem apontando nomes ou situações, queria trazer a tona um diálogo tranquilo, pois é assim que me sinto neste exato momento.
Pensei neste ano que realizaria grandes coisas, estaria em lugares mais calmos e encontraria pessoas menos mal intencionadas. Pois não foi bem isto o que aconteceu e desde o início este foi um ano tenso e preocupante. Tive um cem números de desgastes físicos, um zilhão de brigas, muitos desencontros e algumas despedidas que de certa forma ainda deixaram feridas. Também quebrei algumas marras, travei embates perdidos, reencontrei as forças em momentos em que cheguei aos extremos dos meus limites, e ainda que de arrasto, me pus a prova e passei por eles. Falei coisas bonitas a quem não merecia, finalizei relações que não eram mais minhas.
Também me preocupei com imagens que fiz do que eu não queria mais ser, falei bobagens, magoei amigos, gritei, me zanguei, chorei menos, fui menos compreensiva e não joguei na loteria.
Conheci pessoas incríveis, umas delicadas, outras ranzinzas, todas me mostrando coisas que não sabia que existiam, todas me alertando para um mundo menos egoísta e me libertando um pouco das minhas dores sem sentido.
Conversei em voz alta com o céu a noite, falei com estrelas, perguntei sobre o futuro, me chateei com alguns silêncios, e por alguns longos dias me senti extremamente sozinha.
Voltei a fazer coisas que não me davam prazer, mas também fiz coisas que me deixaram em êxtase, como uma viagem de férias para um lugar que me trouxe a paz de espírito que tanto eu procurava, acompanhada por uma grande e doce amiga, deixei que planos e ideias me consumissem, beijei sorrisos, acariciei e alimentei sonhos, brinquei com o que era improvável, amei o que me deixava viva, reconheci o som do coração de alguém que chegou, fiz sexo com amor, registrei minha vida, me acabei em festas, em paixões retribuídas, eu amei e amando fui amada...
Este ai foi meu ano, entre um abraço não esquecido, uma lembrança marcada, uma despedida que nunca ocorreu, umas saudades doloridas, algumas canções chorosas, alguns encontros em noites frias, alguns pensamentos perdidos, alguns soluços abafados, algumas procuras que não deram em nada, alguns encontros que valeram pelo todo...
Fiquei mais calada, mais segura, um pouco ausente, mais dependente, mais consolável, mas calma, porém densa...A agora eu vou novamente e é capaz de demorar... mas eu volto ainda.
Tecer-me livremente por palavras, gritos sentidos, choros que não calei, declarações por fazer, versos que li, coisas assim...
Entre
E ai puxe a cadeira, sente nas paredes, aqui tudo é permitido, menos palavrão, pelo menos você não, de resto fique a vontade...
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
Haja coisa mais delicada que esta: eu disse a minha guria que sentiria muito a falta dela... e ela se virou e disse que nunca ia se esquecer de mim... e que bom que sua mãe estava perto pra tirar uma foto nossa, pra ela sempre se lembrar de mim... eu chorei um bucado... e disse a mim mesma que voltaria com mais coragem pra viver por isto e não ficar sozinha...
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
Meu guri
Hoje vi um aluno meu ser chamado de preto e fedorento por três outras crianças...eu não sei lidar com isto, mas tenho certeza que ele só se queixou por que eu também sou preta, e que não deixo estas coisas passarem... uma amiga que estava perto conversou com eles, me senti segura, ela era também preta... Eu pensei depois se as coisas tinham de ser daquele jeito. Mas também achei que se fosse ele, ia querer uma professora preta pra interceder por mim e não mandar eu brincar falando que estas coisas acontecem... Falei depois para as outras professoras ninguém se zangou como eu, nem como minha amiga... é só agente que sente, e fiquei orgulhosa dele, achou que estava errado e não se calou... agente sempre sente e não pode fingir... isto está por ai, ferindo crianças... Não é qualquer coisa, mas se fosse só por mim...feriu um guri que eu amava, acho mesmo que as coisas não devem ser assim...
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