Entre

E ai puxe a cadeira, sente nas paredes, aqui tudo é permitido, menos palavrão, pelo menos você não, de resto fique a vontade...

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

insustentável

Você já se pegou pensando em que parte da sua vida inteira você está?
Tenho pensado muito nisto nos últimos dias...
Ainda não tenho certeza de mim, e se me perguntam disfarço, pois não tenho uma resposta muito clara...
Gostaria mesmo que a vida fosse como uma cena de um filme, com tudo se enquadrando, fazendo sentido, e mesmo que o momento não seja dos mais belos, ao final está tudo arranjado...
O fim ainda não está tão próximo... meu filme está engasgando no projetor....

sábado, 7 de agosto de 2010

dias nublados

o dia foi um bucado confuso, tenso...
não sei mais se o que faço ou digo tem parâmetros
estou confusa, amigos, não aceito a realidade ...
desisti e me comparo ao que crítico, tão facil sair de cena quando não se tem argumentos...
não sou a mulher forte que alguém acreditava...
sinto muito por lhe ter decepcionado. Vim refletindo minha farça, queria estar contente, ter feito alguem feliz, sou ridícula, não se pode fazer alguem feliz... posso apenas dar os bons motivos... eu não consegui.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

QUANDO AGENTE ESTÁ MUITO TRISTE,GOSTA DE ADMIRAR O PÔR-DO-SOL...
- ESTAVAS TÃO TRISTE ASSIM NO DIA EM QUE CONTEMPLASTE OS QUARENTA E TRÊS?
MAS O PRINCIPEZINHO NÃO RESPONDEU...
"SAINTE-EXUPERY"

terça-feira, 3 de agosto de 2010

abraços

e me abraçou...
eu não a podia curar...
queria que ela tivesse me curado.
Agora Me pergunto se entendeu.
estou tão triste...
as pessoas grandes são muito complicadas pra mim.
me apaixonei por um olhar...
melhor por vários...

Ninguém me fez sorrir como você...

Guardo em meu peito boas lembranças sim
É difícil entender quando temos de acordar de um sonho, mesmo por que é este sonho que nos protege das dificuldades do mundo.
Eu não sabia mais como era uma vida sem você...sem uma idéia de você, mas eu sei que agora é preciso que eu aprenda...
Tenho muitas saudades ainda e com o tempo sei que não vou me lembrar mais do seu rosto...tenho uma idéia de você, e mesmo que não seja de todo verdade vou ficar com ela dentro de mim por um tempo...
Você foi minha mais bela história, e nem tudo é muito calmo agora, tenho dores no peito e ainda choro um pouco, quando espero...
Existiu uma razão para meu coração transformá-lo em uma grande saudade, eu queria me fazer presente em qualquer lembrança tua, apaguei teus recados, estou te apagando de mim, mas não é tão fácil, deveria haver um botãozinho pra me arrancar esta tristeza que dói feito ferida, eu não tenho mais o tempo do mundo...
Devolva a minha paz de espírito...
Eu não estou preparada para uma despedida, estou arrefecida... Perdi muito da toda aquela esperança, meus sonhos estão bem mais modestos e já não faço mais pedidos a Deus. O filme esta desbotando, nada é fácil, eu não sei por que você fugiu, e consigo entender, o nosso amor foi algo desonesto, pra ser sincera nem foi real...

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

agente ...

Me acostumei a te inventar por dias, meses,
e agora, até por anos...
Eu sei que se te deixar invadir meu jogo, irá roubar minhas peças novamente...
As vezes acho que não tem pudor em lesar minhas rodadas...
Ja devia ter saído da mesa ou te dado o troco...
Seu texto inteiro não faz sentido, só teu corpo, teu cheiro...
é como diz o poeta "os corpos se entendem mas as almas não... Manuel Bandeira"
Vou indo amor... quem sabe agente se esbarra em alguma outra paisagem...

eu sei, mas não devia...

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

Marina Colasanti, extraido do livro "Agente de acostuma", editora Rocco- Rio de Janeiro, 1996, pág. 09.

"Ele me deixa um bocado pensativa... eu não queria ter me acostumado... mas onde é o meu limite?"